18 de out. de 2013

Homenagem ao centenário do eterno "Poetinha"

19.10.1913 /  19.10.2013

Dez melhores Poemas de Vinícius de Moraes
(*)

Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Pátria Minha

A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.
Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.
Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos…
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias pátria minha
Tão pobrinha!
Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!
Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.
Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu…
Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda…
Não tardo!
Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.
Pátria minha… A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.
Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamem
Que um dia traduzi num exame escrito:
“Liberta que serás também”
E repito!
Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão…
Que vontade de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.
Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.
Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
“Pátria minha, saudades de quem te ama…
Vinicius de Moraes.”

Poema de Natal

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

Soneto de Contrição

Eu te amo, Maria, eu te amo tanto
Que o meu peito me dói como em doença
E quanto mais me seja a dor intensa
Mais cresce na minha alma teu encanto.
Como a criança que vagueia o canto
Ante o mistério da amplidão suspensa
Meu coração é um vago de acalanto
Berçando versos de saudade imensa.
Não é maior o coração alma
Nem melhor a presença que a saudade
Só te amar é divino, e sentir calma…
E é uma calma tão feita de humildade
Que tão mais te soubesse pertencida
Menos seria eterno em tua vida.

Não Comerei da Alface a Verde Pétala

Não comerei da alface a verde pétala
Nem da cenoura as hóstias desbotadas
Deixarei as pastagens às manadas
E a quem maior aprouver fazer dieta.
Cajus hei de chupar, mangas-espadas
Talvez pouco elegantes para um poeta
Mas peras e maçãs, deixo-as ao esteta
Que acredita no cromo das saladas.
Não nasci ruminante como os bois
Nem como os coelhos, roedor; nasci
Omnívoro: deem-me feijão com arroz
E um bife, e um queijo forte, e parati
E eu morrerei feliz, do coração
De ter vivido sem comer em vão.

A Rosa de Hiroxima

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida.
A rosa com cirrose
A antirrosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.

Soneto de Devoção

Essa mulher que se arremessa, fria
E lúbrica aos meus braços, e nos seios
Me arrebata e me beija e balbucia
Versos, votos de amor e nomes feios.
Essa mulher, flor de melancolia
Que se ri dos meus pálidos receios
A única entre todas a quem dei
Os carinhos que nunca a outra daria.
Essa mulher que a cada amor proclama
A miséria e a grandeza de quem ama
E guarda a marca dos meus dentes nela.
Essa mulher é um mundo! — uma cadela
Talvez… — mas na moldura de uma cama
Nunca mulher nenhuma foi tão bela!

Soneto do Amor Total

Amo-te tanto, meu amor… não cante
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Soneto de separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Receita de Mulher

As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental. É preciso
Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso
Qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture
Em tudo isso (ou então
Que a mulher se socialize elegantemente em azul, como na República Popular Chinesa).
Não há meio-termo possível. É preciso
Que tudo isso seja belo. É preciso que súbito
Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche
No olhar dos homens. É preciso, é absolutamente preciso
Que seja tudo belo e inesperado. É preciso que umas pálpebras cerradas
Lembrem um verso de Éluard e que se acaricie nuns braços
Alguma coisa além da carne: que se os toque
Como o âmbar de uma tarde. Ah, deixai-me dizer-vos
Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro
Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e
Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem
Com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos, então
Nem se fala, que olhem com certa maldade inocente. Uma boca
Fresca (nunca úmida!) é também de extrema pertinência.
É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos
Despontem, sobretudo a rótula no cruzar as pernas, e as pontas pélvicas
No enlaçar de uma cintura semovente.
Gravíssimo é porém o problema das saboneteiras: uma mulher sem saboneteiras
É como um rio sem pontes. Indispensável
Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida
A mulher se alteia em cálice, e que seus seios
Sejam uma expressão greco-romana, mais que gótica ou barroca
E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de cinco velas.
Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebral
Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal!
Os membros que terminem como hastes, mas bem haja um certo volume de coxas
E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima penugem
No entanto sensível à carícia em sentido contrário.
É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio
Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!)
Preferíveis sem dúvida os pescoços longos
De forma que a cabeça dê por vezes a impressão
De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre
Flores sem mistério. Pés e mãos devem conter elementos góticos
Discretos. A pele deve ser fresca nas mãos, nos braços, no dorso e na face
Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior
A 37º centígrados, podendo eventualmente provocar queimaduras
Do primeiro grau. Os olhos, que sejam de preferência grandes
E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da terra; e
Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro de paixão
Que é preciso ultrapassar. Que a mulher seja em princípio alta
Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.
Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que se se fechar os olhos
Ao abri-los ela não mais estará presente
Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber
O fel da dúvida. Oh, sobretudo
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.
(*) - Publicados nos livros: Cinco Elegias, Poemas, Sonetos e Baladas, Novos Poemas, Novos Poemas (II), Pátria Minha, Livro de Sonetos e Antologia Poética.

15 de out. de 2013

ACADÊMICA AGRACIADA


A Professora Doutora, Acadêmica LÉLIA BATISTA DE SOUZA, Cadeira nº 25, receberá no dia 18.10, 6ª feira, na Câmara Municipal de São Paulo, a Medalha  e  Diploma “Dr. Luiz Cesar Panain”, concedida pelo Sindicato dos Odontologistas de São Paulo - SOESP, na Categoria “Especialista” - Patologia Oral.

Nossos efusivos cumprimentos por tão importante láurea, altamente merecedora, uma honra para todos nós!
 


14 de out. de 2013

NOVA REUNIÃO DA DIRETORIA HOJE

Importantes decisões foram tomadas na reunião de hoje, com a presença de dez Diretores, 
dando sequência a uma série de medidas que serão tomadas para o progresso da Academia.
Acadêmicos Presentes: À mesa - 2ª Secretária, Mª Marluce; Presidente Eduardo Seabra; 2º Vice-Presidente, José Evilson; No auditório - Diretor de Patrimônio, Fernando Fernandes Maia; Tesoureiro, Odilon Garcia Filho; Diretora da Biblioteca e Museu, Yara Silva; 1ª Secretária, Consuelo Prímola; Diretora Social, Terezinha Galvão; Diretora de Divulgação e Publicidade, Mª Auxiliadora e seu Adjunto, Rubens Azevedo, que bateu a foto. 

JORNAL MENSAL ELETRÔNICO E IMPRESSO 
Será remetido a todos os Acadêmicos, mensalmente, um Jornal dando conta das notícias e outras informações importantes; a edição deste mês já está de posse da Secretária Executiva pata envio imediato, dependendo, apenas, de checagem dos endereços. Assim sendo, pedimos a todos que informem qualquer mudança de endereço - eletrônico ou de postagem - para evitar extravios, 
o que muito agradecemos. 

EDIÇÃO HISTÓRICA
Baseado numa proposta do 2º Vice-Presidente, será elaborada uma edição especial, dando conta da história da Academia, para expedição na data histórica do seu Jubileu de Prata.
 

10 de out. de 2013

ALUNOS DO SENAC VISITARAM O MUSEU






Na tarde do dia 1º deste mês, após agendamento, o nosso Museu “Dr. Solon de Miranda Galvão” recebeu a visita de 34 Alunos do curso de TSB, da Turma Matutina (oriundos do Pronatec) e Vespertina (do PSG), acompanhados da Professora Dra. Geórgia Faria Costa, Mestre em Clínicas Odontológicas e Docente da UERN - SENAC/RN.           

A Diretora do Museu, Acadêmica Yara Silva, e também o próprio Presidente, Acadêmico Eduardo Seabra, fizeram as honras da Casa, recepcionando os visitantes que se mostraram maravilhados com o rico e variado acervo. 

Que venham outros!

ACADÊMICOS ANIVERSARIANTES DO MÊS



Eis os Acadêmicos que aniversariam este mês, aos quais parabenizamos, almejando-lhes  SAÚDE E PAZ!

Dia 05 - Aníbal do Couto Dantas;

Dia 18 - Maria da Salete Lopes da Costa Ferreira;

Dia 23 - Fernando Fernandes Maia Filho;

Dia 24 - Rejane Andrade de Carvalho.
   

7 de out. de 2013

DIRETORIA DEFINIU COMEMORAÇÃO NATALINA

A Diretoria da Academia reunida hoje, dentre outros assuntos altamente relevantes, definiu a data da comemoração natalina: 13 de dezembro, 6ª feira; mais detalhes serão anunciados proximamente.

Outro tema em debate redundou na decisão de comemorar condignamente o JUBILEU DE PRATA da Academia no próximo ano, prevendo-se, em princípio, eventos científicos, sociais e culturais.

Logicamente, para maior brilhantismo de qualquer atividade a ser programada, será fundamental a presença e participação dos Acadêmicos e, eventualmente, das suas respectivas famílias. Contaremos com isso! Trabalharemos para proporcionar a todos entretenimento e confraternização condizentes com o alto nível que todos merecem. Aguardem mais detalhes para breve. 

Eis a composição completa da nova Diretoria, que mesclou novos integrantes com alguns que participaram da anterior, numa salutar maneira de aproveitar todo o rico potencial dos seus componentes:

Nome
Cargo
Eduardo Gomes Seabra
Presidente
Doriélio Barreto da Costa
1º Vice-Presidente
José Evilson Machado Dantas
2º Vice-Presidente
Odilon de Amorim Garcia
Tesoureiro
Heitel Cabral Filho
Tesoureiro Adjunto
Consuêlo Primola de Gusmão
1a Secretária
Maria Marluce de Souza
2a Secretária
Yara Silva
Diretora de Biblioteca e Museu
Elza Maria Gurgel de Macedo
Diretora Adjunta de Biblioteca e Museu
Terezinha Freitas Duarte Galvão
Diretor do Departamento Social
Hébel Cavalcanti Galvão
Diretor Adjunto do Departamento Social
Maria Auxiliadora Montenegro Nesi
Diretor do Departamento de Divulgação e Publicidade
Rubens Barros de Azevedo
Diretor Adjunto do Departamento de Divulgação e Publicidade
Moema de Lemos Santos Barreto
Diretora da Escola de Aperfeiçoamento Profissional
Wagner Ranier Maciel Dantas
Diretor Adjunto da Escola de Aperfeiçoamento Profissional
Fernando Fernandes Maia Filho
Diretor de Patrimônio
Adali Soares Lins Bahia
Diretora Adjunta de Patrimônio
Antônio de Lisboa Lopes Costa
Diretor do Departamento Científico
Roseana de Almeida Freitas
Diretora Adjunta do Departamento Científico